SEM ÓDIO, SEM VIOLÊNCIA E SEM GOLPE: UM MILHÃO DE PAULISTAS PEDEM POR MUDANÇAS.

Ultrapassando em número a manifestação pelas diretas em abril de 1984, a manifestação de 15 de março em São Paulo enviou a todas as estâncias de poder um recado

17/03/2015

Ultrapassando em número a manifestação pelas diretas em abril de 1984, a manifestação de 15 de março em São Paulo enviou a todas as estâncias de poder um recado que não pode ser ignorado: está na hora de mudar, chega de corrupção. O PT e a presidente Dilma foram o alvo de palavras de ordem e cartazes apresentados pela multidão verde-amarela que não apenas evocou os escândalos, mas o não cumprimento de compromissos assumidos.

Ao contrário do que se apregoava, a marcha não ostentou violência. Pelo contrário, foi integrada 100% por famílias, que levaram para as ruas suas crianças e também os idosos, muitos com bengala, ou cadeiras de rodas. Um movimento tão ativo e descontraído quanto a festa do Penta de futebol, mas muito mais numeroso, para mostrar que o discurso da esquerda já não agrada porque as palavras não combinam com os atos.

Em cada trecho percorrido, duas frases eram constantemente lembradas além do “Fora Dilma e leve o PT com você”: “Viemos aqui de graça” e “viemos no domingo porque somos trabalhadores”.

Um número considerável de caminhoneiros e motoqueiros acompanhou a multidão. Buzinas, panelas, bumbos e apitos complementavam o recado quando as vozes sucumbiam. Um movimento emocionante.

Durante o ato, as estações centrais do metrô contabilizaram 4 mil pessoas a cada 4 minutos, número que não pode ser ignorado, chegando a um ponto em que estações Consolação e Trianon foram fechadas por não comportarem mais passageiros no aguardo do embarque.

A Polícia Militar, portanto, não teve dúvidas quanto a assegurar uma estimativa de 1 milhão de pessoas entre Paulista e Consolação

Reação contra o ministro

Protestos foram realizados em Brasília, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro entre outras localidades, com números também surpreendentes, deixando clara a insatisfação das famílias trabalhadoras  com a situação político-econômica.

Ao fim da tarde, o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e o ministro – secretário da Presidência da República, Miguel Rossetto, deram entrevista coletiva falando sobre a importância de valorizar a democracia e de rejeitar as manifestações autoritárias e fascistas, motivo pelo qual, foram, em tempo real, alvos de protestos em várias cidades brasileiras, contando com buzinaço, panelaço e o ascender e apagar das luzes.

Em arujá

Também houve manifestação. Por volta das 14h00 um grupo se reuniu na Praça do Coreto e seguiu pelas ruas do centro, com cartazes que diziam “Fora Dilma e fora PT” e pediam o fim da corrupção e impunidade.

Agenda de eventos